Adoção

Há algum tempo, um assunto muito sério vem martelando minha cabeça: a adoção!

Por várias vezes já ouvi a frase que adotar é um ato de amor e concordo com isso. É preciso muito amor, e seriedade, para adotar uma criança, cuidar de outra vida e ensinar quais são os melhores caminhos que ela deve seguir. 

Por isso entendo que a adoção só deve ser considerada após um intenso exercício psicológico, uma preparação para descobrir se você realmente está apto para adotar uma criança. Essa preparação é muito importante, pois pode evitar que, após a adoção, os pais adotivos não se adaptem e queiram devolver a criança. Por isso, um período de convivência entre a criança e os futuros papais por um tempo, antes da adoção definitiva,é, inclusive, um dos pré-requisitos para a adoção no Brasil. 

Mas, se você já pensou direito e quer, realmente, adotar, prepare-se para lidar com uma burocracia gigantesca. 

Antes de chegar ao período de adaptação com a criança, os papais e mamães tem que passar por verdadeiros testes. Começa com a inscrição no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), passando por reuniões com assistentes sociais, verificação das condições sociais, psicológicas e financeiras, um curso preparatório e, finalmente, o período de convivência. Isso é importante para garantir que a criança será bem aceita e bem tratada. O problema é que toda essa preparação leva, em média, quatro anos. 

Outro ponto que dificulta é que a maior parte dos pais quer crianças pequenas, às vezes com menos de um ano, mas, em um primeiro momento, quando as crianças chegam aos abrigos, é feita uma verificação na família biológica, buscando parentes sanguíneos que possam adotá-la. Geralmente essa busca ultrapassa dois anos, e o que deveria ser algo benéfico para a criança acaba se tornando um problema, já que as chances da criança ser adotada por outras famílias diminuem. 

E só no caso de não encontrem parentes com laços sanguíneos é que a criança vai para a adoção, de fato. E a espera pela família ideal pode demorar. Se forem irmãos, essa espera é muito maior, pois a justiça prefere que os irmãos não sejam separados. 

Não podemos permitir que a burocracia faça com que nossas crianças passem mais tempo do que o necessário em abrigos, privadas de um convívio familiar, do carinho e cuidado de pais adotivos. Chega a ser crueldade ver a oportunidade dessas crianças de ter um lar sendo desperdiçadas por conta de burocracia! Crescer em um abrigo, por melhor que ele seja, não é o mesmo que ter uma família. 

Muitas vezes a criança passa a infância e a adolescência em abrigos, não consegue um lar e sai de lá para encarar o mundo. Essa criança terá muito mais dificuldades de estabelecer laços de família, de se relacionar, pois não teve a chance de ter uma família! Quantas dessas crianças e adolescentes a burocracia privou de ter um lar saudável?  

Embora o sistema de adoção esteja mais fácil do que antigamente, é possível agilizar ainda mais o processo. Uma das medidas que podem ser tomadas é a diminuição do tempo de busca das famílias biológicas das crianças. A busca pela família biológica deve existir,  mas isso não pode prejudicar uma criança que foi abandonada, diminuindo as chances de ela ter um novo lar. Essa busca deve ser uma aliada da justiça, não uma causa de injustiça, onde a maior prejudicada é a criança. Campanhas para incentivar a adoção de crianças mais velhas e de adolescentes também devem ser aplicadas. E também pode ser autorizada a adoção dirigida, que é aquela em que a mãe já tem as pessoas interessadas em adotar a criança, prática que não é permitida hoje. 

Lógico que quando falamos em vidas humanas, ainda mais de crianças, é preciso redobrar os cuidados, mas é possível agilizar o processo, basta ter vontade! 

Eu acredito no Brasil! 

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